domingo, 6 de dezembro de 2015

Sophia

Sophia é uma menininha de traços meigos, como uma bonequinha de porcelana. Gordinha, cabelo liso, preto, de vestidinho cheio de rendas nas pontas e chapeuzinho.
Está sentada no canto direito de uma pequena escada, na frente de uma casinha.
Na mão direita ela recolhe a borda do vestido, e aperta com força; na mão esquerda ela segura a pontinha de uma corda.
Um olhar perdido no infinito, procurando, procurando...

E alguém vai vir buscá-la. Ela não precisa temer.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Doutor não é pronome de tratamento!

Tenho muita antipatia por esses advogados que se intitulam "doutores". Reconheço, lógico, aqueles com grande vivência da legislação, serem eles "doutores do conhecimento", mas um advogadozinho chinfrim vir com essa de "doutor", ah, tenha paciência.

Vou contar.

Estava eu no Sinproep-DF (Sindicato dos professores de escolas particulares) para dar entrada nos documentos do meu cunhado, portando a procuração em meu nome.
Entrei na sala da advocacia, deparo-me com dois recém-formados. Como eu sei? Despreparo psicológico.
Falo do problema a ser solucionado.
Prontamente um deles vira e pega a CLT. Enorme, tal qual a Bíblia sagrada.
Claro que não os julgo "recém-formados" por terem que usar aquele trambolho como consulta, afinal livros são e devem ser usados como fonte de consulta.
O que me fez duvidar de suas capacidades foi um virar pra o outro e perguntar: "mas isso pode ser feito por procuração?"
Poxa... Eles não estudam pra que serve e pra que não serve uma procuração? Ainda mais: se eles trabalham diariamente com aquele tipo de processo, nunca se depararam com uma situação assim, ou sequer se perguntaram?

Ok, prosseguindo...
Essa era a terceira vez que eu ia no sindicato, falei do que se tratava o processo, e eles preencheram um papelzinho, marcando (x) nos itens "cópia de RG", "cópia de CPF" etc.

MEODEOS! Por que eles não informam logo todos os documentos que precisavam?
Ok de novo...
Então perguntei se, quando fosse levar os documentos, precisaria de toda aquela burocracia novamente, e aí veio a melhor pérola:

- Não, não. Você encaminha para mim, doutor Fulano, ou para ele, doutor Beltrano.

(...)


Acho que não consegui disfarçar meu desdém na hora.

sábado, 12 de março de 2011

Teogonia revisitada (e comentada)

por Mirian Bottan, em pequenos gorgeios e comentários.

Afrodite nasceu da espuma sangrenta que o pinto de Urano fez no mar, onde foi atirado por seu filho, depois de cortado pelo mesmo (Que origenzinha mais sem glamour, hein, deusa do amor? Por isso que a galere diz só "nascida da espuma").
Daí o filho (Cronos), com medo de tomar no cu, comeu todos os filhos, menos um que a mãe escondeu (e foi criado por uma ninfa meio cabra).
O filho escondido (Zeus) cresceu, se enfiou na casa do Cronos, zuou o café do véio e fez ele vomitar os irmãos (E essa é a história de como a família de vocês não deve ser).

Afrodite, que era meio vagaba, teve um filho feio e pintudo.
Ela ficou puta porque a mãe da Esmirna disse que a mina era mais bonita que ela, e fez a coitada dar pro próprio pai, que tarra bêbado.
Aí o cara ficou puto da cara com a mina e a hipponga da Afrodite tentou consertar transformando a mina em árvore.
Da árvore caiu um moleque gatinho, que a Afrods esperou crescer e traçou também.
Mas aí um amante da afrods ficou putinho, virou um porco selvagem e foi sangue nozóio atrás do moleque (Adonis), que se fodeu.

Zeus não era FACIO, virou até black swan pra traçar uma mina (que botou ovo depois, coitada).
Depois a (corna da) mulher dele convenceu uma das amantes dele (grávida) a segurar periquita e ele mandou raio na mina, oloco bicho.
Mas a mulher (Hera, a corna) salvou o bebê, costurando-o na COXA de Zeus -Q???

"Hermes era o mais talentoso dos deuses. Quando criança, ja se destacava pela delinquência, sobretudo (...) pela invenção de mentiras complicadas" (Tenho uns amigos assim huauah)

01 informação relevante: Zeus comia GE RAL

(Emilia: Verdade. Veja aqui).

Então tá. Aí o Posêidon (um velho de tridente, tipo o pai da Ariel) mandou um touro pro truta Minos matar.
Mas o Minos era tipo do Peta (brinks, ele só curtia touro, igual à mãe dele) e não quis matar. O Poseids (irmão do Zeus comedor) ficou puto e rolava uma tendência de se vingar do cidadão zoando a mina dele, entao poseids fez a mina do Mino(s) SE APAIXONAR PELO TOURO
Aí a mina encomendou uma vaca de mentira pra se esconder dentro e dar pro touro (é tipo pegar a Roberta Close, né? BRINKS).
Só que a vaca da Pasífae não só foi fodida como fodeu todo mundo porque ficou grávida do mano Minotauro (1/2 touro, 1/2 mano) que matava as gentes.

Aí o DÉDALO (ui), o tonto que fez a vaca, teve que se virar nos 30 e construir um labirinto em volta do Manotauro, para parar a putaria. Só que o Minos (que gostava tanto de touro que agora era quase um, com o lindo par de chifres, óia!), não deixou o cara vazar. Acho justo.
(Gente, não tô chapada, só tomei leite hoje. Chapação é com o mano Dioniso, filho do Zeus comedor).

O Dédalo resolveu ser sagaz uma vez na vida e mandou um asão de cera e pena pra ele e outro pro filho pra fugir na voação. Mas o filho, Ícaro, TINHA que ter um momento jegue feito o pai quando fez a vaca e quis dar um rolê NO SOL. Enfim, a asa derreteu e a besta quadrada caiu no mar.

(continua... Ou não!)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Receita: preparado para capuccino

Hoje, pelo telefone, a @alokadacolher Aline Hack me ensinou como preparar o preparado para preparar capuccino.
Estão preparados?

Preparar, apontar, JÁ!

Ingredientes:

1 lata de leite em pó (para uma versão light, use Molico. Dê preferência ao enriquecido com vitaminas)
1 caixa de 200g de chocolate em pó (aqueles dos padres gordinhos)
2 sachês (de 150g) de café solúvel (obs1 lá no final sobre os cafés)
1 sachê de eno sem sabor
1 colher de sopa de canela (opcional para quem não gosta - eu, por exemplo)

Modo de preparo (muito difícil, atenção redobrada):

Mistura tudo em uma bacia, penera e acondiciona.

Pronto.

OBS1. A Aline comentou que o nescafé matinal é bom, porque é mais suave e o preparado fica mais balanceado. Comentou ainda que, se encontrar do café solúvel Iguaçu, fica melhor. Desse segundo, tenho certeza que vi no Pão-de-Açúcar pertinho de onde moro.

OBS2. Essa é a versão LIGHT, por isso não tem açúcar, use adoçante depois. Se você for gordinho(a) safado(a), troque logo o Molico por Ninho e empurre açúcar refinado.

Tomara que fique bom mesmo. :D

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Atualizando:

Palavras dela: "A quant de sugar da receita é 1 lata para fu-migas e 1/2 lata pra pessoas normais"

sábado, 24 de outubro de 2009

João, o barqueiro

Hoje resolvi falar de uma pessoa que conheci na viagem para o Mato Grosso, em agosto desse ano. Hoje falarei de João, o barqueiro.

João pilotando de volta pro PEA (ia ter churrasco!)

João, um morador comum, um civil da cidade de novo Santo Antônio, cidade vizinha ao Parque Estadual do Araguaia, onde ficamos vivendo "no limite" (sem energia, em cabanas, com formigas, calor e frio) por longos e divertidos 26 dias.
Como eu fui como monitora para a disciplina que estava sendo ministrada, era variável o dia em que passava o dia no campo; a maioria deles eu fiquei na base, corrigindo relatórios, arrumando os materiais das práticas, escrevendo práticas, e, lógico, fazendo fotos dos bichos, das paisagens, pescando e sofrendo com os borrachudos.
E ele sempre estava na base, diariamente, à disposição para qualquer emergência minha ou de qualquer pessoa que lá estivesse (como o dia em que o professor Pedroni passou a faca na mão e teve que ir para o hospital). João e seu maço de cigarros San Marino sempre estavam lá na parte de trás da base, perto dos marimbondos assassinos, sentado, com uma faca na mão, fazendo qualquer coisa. Quando não, estava na varanda da frente, me fazendo companhia e contando os causos pantaneiros - bem interessantes, por sinal.
E brigar comigo e com a professora Regina era uma das suas diversões, principalmente depois que ele nos viu conversando e nadando na baía cheia de piranhas, com um jacaré monstruoso (mesmo) e ao lado das pedras onde morava uma temível Pirarara.

As idas à cidade, sempre a barco, eram demoradas, mas nunca faltava história

O denominamos de "barqueiro" porque sua principal função era dirigir um dos barcos para nós, bocós.
Mas João era o quebra-galho, era o Severino da parada. E ele fazia isso mesmo: cara-crachá, cara-crachá. Ele, junto com o Erson, o gerente do Parque, faziam rondas por terra e por água, com formulários de autuação e câmera fotográfica para comprovar o delito.
O Erson gostava do que fazia, e era concursado, ganhava pra aquilo. João, não. João fazia pelo amor e pelo senso do que era o certo. Ele sempre foi pantaneiro, e dizia ter visto a mudança daquilo tudo, dos pescadores locais perderem espaço pros gringos, pros deputados, pros caras que iam pescar pirarucu, pintado, jacaré...

"Esclareceno as coisa"

João era da paz demais. Lá no parque chegamos a conhecer sua filha e seu neto, que foram lá algumas vezes. João era da teoria de que o homem tinha que ter uma mulher em cada porto, e, nos churrascos encervejados, isso dava muito pano pra manga... Mas nunca, nunca faltou com o respeito com qualquer uma de nós, mulheres, que estávamos lá.
João era íntegro, e por nunca querer ferir seus princípios, não bebia muito na cidade, pra não dar abertura para os safados que queriam se valer da amizade para a contravenção.

João era massa mesmo. Na noite antes de partirmos, ele se despediu rapidamente, e disse que não queria estar lá quando fôssemos saindo... E eu sei exatamente o quê ele quis dizer com isso.


João e Erson estavam em uma incursão de fiscalização corriqueira nesse final de semana e foram alvejados a tiros.
Erson está hospitalizado, mas João infelizmente não resistiu, e faleceu.